ASCITE NAS AVES
A superfície peritoneal é uma membrana serosa que reveste a cavidade
abdominal, e cobre as superfícies viscerais dos órgãos
abdominais. A superfície peritoneal tem origem mesodérmica, compondo-se
de uma única camada de células achatadas e denteadas, com camadas
subjacentes de tecido conjuntivo, vasos sanguíneos, e canais linfáticos.
Os propósitos do peritônio são a proteção
e a absorção. Ele protege a cavidade peritoneal ao isolar as áreas
de inflamação, e permite a absorção, exsudação,
ou transudação de líquidos. Geralmente, a cavidade peritoneal
contém pouco líquido livre. A presença de líquido
livre na cavidade peritoneal é considerada patológica. A qualidade
absorvente peritoneal permite a realização da diálise peritoneal,
pois todos os elementos do sangue atravessam livremente através da superfície
serosa.
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O aumento de volume da cavidade abdominal geralmente desenvolve-se lentamente
e de modo insidioso, exceto se devido a hemoperitonio traumático, ou
a ruptura da bexiga urinária. O aumento de volume abdominal também
esta relacionado com entidades clínicas comuns como: gestação;
hidrometra; piometra; hepatomegalia e renomegalia; crescimentos envolvendo o
baço, fígado, linfonodos, ou outros órgãos abdominais;
ingurgitamento intermitente de tumores vasculares; e ascite devida à
insuficiência cardíaca, hipoproteinemia; e obstrução
venosa da veia cava posterior.
O ultra-som é uma técnica não-invasiva de grande valor
no diagnóstico diferencial da coleção de líquido
abdominal, e do aumento de volume abdominal. O ultra-som emprega o conceito
de ondas sonoras reverberantes produzidas por um transdutor. As ondas são
transmitidas para o interior do abdômen e em seguida os ecos, ou ondas
sonoras refletidas, são gravados pela unidade transdutora receptora.
As ondas sonoras são absorvidas e refletidas em graus variáveis
pelas diversas estruturas abdominais. Cada órgão parenquimatoso
tem padrões de ecos específicos, com base em sua celularidade
e composição do estroma. Estes padrões de eco são
distintos , relativamente à ecogenicidade do tecido circunjacente. Os
ecos penetram fracamente as superfícies altamente reflexivas, como gases,
ar, ossos, e bário. Em decorrência, quando o ultra-som é
visualizado na tela de registro, a gordura sugere um branco denso, os ossos
e o ar brancos, e os líquidos e sangue são negros
Ascite refere-se à coleta de líquido seroso no interior da cavidade
peritoneal. A definição é ampla, e abrange a coleta, no
interior da cavidade abdominal de bile, urina, e sangue, bem como líquidos
exsudativos e transudativos. Ascite é um sinal secundário de moléstia,
e não a causa primária da moléstia. Conseqüentemente,
a abordagem correta aos pacientes com líquido ascítico consiste
em determinar a natureza do problema primário.
Ascite se desenvolve em apenas um limitado numero de condições
patológicas. As causas mais freqüentemente encontradas de ascite
são: carcinomatose abdominal; insuficiência cardíaca congestiva
(do lado direito, ou do lado direito e esquerdo); estase venosa ao nível
do fígado, ou no interior da cavidade torácica; traumatismo abdominal
com o extravasamento de sangue, urina, ou bile, para o interior do abdômen;
inanição; hipertensão portal; e hipoproteinemia secundária
a parasitismo, a síndrome nefrótica, e outras nefropatias. Cirrose
hepática, quilotorax (traumático ou obstrutivo), envenenamento
por warfarin com hemorragia para o interior da cavidade abdominal e peritonite
(infecciosa e parasitária) são também causas, como é
o caso da ascite parasitária devida a Mesocestoides
sp.
Nas aves um grande volume de líquido ascítico, pode comprimir
o sistema de sacos aéreos pulmonares causando dispnéia. Durante
o exame físico, a distensão abdominal pode ser reconhecida. Uma
ave com ascite deve ser manuseada com cuidado para prevenir ruptura de sacos
aéreos, os quais podem levar a uma asfixia imediata. Os sinais clínicos
podem estar presentes ou não com o acúmulo de líquido abdominal.
Nos problemas hepáticos, fezes esverdeadas ou amareladas podem ser vistas.
Em neoplasias ou hepatopatias massas podem estar presentes no abdômen.
Nas ascites associadas com hepatopatia (incluindo congestão hepática
devido a doença cardíaca), aumento na pressão hidrostática
venosa portal e decréscimo na pressão osmótica coloidal
venosa portal são fatores importantes. Um bloqueio na drenagem linfática
também pode ser um importante fator no desenvolvimento de ascite em aves.
Carlos Alexandre Pessoa
Médico Veterinário
Celular: (11) 7865-9482 / (11) 9911-2330
CRMV/SP 8621