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DOENÇAS NUTRICIONAIS EM ROEDORES E LAGOMORFOS

Por serem os roedores os campeões de estudos no que tange os aspectos nutricionais, o maior banco de dados de conhecimento nutricional em animais exóticos pertence aos roedores. O resultado de todo este conhecimento é a fabricação de rações comerciais equilibradas para ratos, camundongos, hamsters, cobaias, chinchilas, esquilos da Mongólia e coelhos. O mínimo de calorias por Kg de dieta deve estar entre 2500 a 2700. A insuficiência calórica poderá ocasionar perda de peso, redução no crescimento, baixa fertilidade, e fome.

Esta deficiência geralmente é encontrada em criadores que mantém os animais dieta exclusivamente de alface e cenoura. Fontes de carboidratos como sementes, feno, e vegetais devem sempre ser fornecidas aos roedores e lagomorfos.Uma quantidade adequada de fibras sempre deve estar presente. No caso do lagomorfos (coelhos) um nível de fibras maior que o dos roedores é necessário. Coelhos não digerem mais que 18% de fibras dietéticas em uma única passagem pelo intestino, mas estas têm um importante papel como volume. Dietas comerciais com alto teor de fibras (22,5%) são recomendadas para manutenção dos animais por longos períodos, em pesquisas ou testes. Tais dietas permitem melhor controle do peso e obesidade.

Dietas com alto teor de fibras reduzem as chances de formação de tricobezoares e diarréia, mas não são recomendadas durante os períodos de reprodução, lactação e crescimento.As dietas deveriam conter pelo menos 1% de gordura podendo chegar até 8% sem ocasionar diarréia. Deficiência de ác. linoleico, araquidônico, ou linolênico poderá ocasionar redução no crescimento piloso, alopecia, pele escamosa, necrose do terço distal da cauda, hematúria, anemia, e ulceração cutânea em ratos, porquinho da Índia, chinchila, esquilos voadores (flying squirrels), dentre outros. Quanto à proteína, o mínimo seria de 15% da dieta. Tanto proteína vegetal como proteína animal são necessárias. A ausência de metionina e lisina na dieta resultam em alopecia e perda da coloração da pelagem.

Um mínimo de 55000 UI por Kg de vitamina A de dieta deve estar disponível. Sua deficiência causa metaplasia escamosa do tecido epitelial, hiperqueratose, retardo no desenvolvimento ósseo, opacidade corneal, aborto, hidrocefalia, infertilidade, e ataxia. Anorexia, perda de peso, convulsão, e diarréia podem ser observados na deficiência de vitamina B1 (Tiamina). Na deficiência de vitamina B2 (Riboflavina), observamos retardo no crescimento, pelo áspero, patas, nariz e orelhas pálidas, dermatite escamativa, alopecia, depressão, e catarata. O mínimo exigido pelos roedores e lagomorfos é de 9 a 13 mg por Kg de dieta. A piridoxina ou vitamina B6 deve estar disponível na dieta entre 6 a 14/15 ppm. Na sua ausência os animais apresentam anorexia, retardo no crescimento, ataxia, pêlos frágeis, convulsões, irritabilidade, e paraplegia.

O ácido pantotênico na quantia de 15 a 22 mg por Kg da dieta deve se fazer presente Perda de peso, "fígado" gorduroso, diarréia, dermatite esfoliativa, ataxia, e alopecia. A dose recomendada de niacina por Kg de dieta é de 38 a 53 mg. Na sua ausência se observa retardo no crescimento, anorexia, diarréia, extremidades pálidas, e diminuição do PCV.

Colina deve estar presente na dose de 900 a 1500 mg por Kg de dieta. Observamos diminuição do crescimento e apresenta valores hematológicos baixos em sua carência. As dietas deveriam conter um mínimo de 10 a 65 mg por Kg de dieta de vitamina B12 (cianocobalamina). Sua deficiência pode causar retardo no crescimento, atrofia renal, anemia, hidrocefalia, e anorexia. Biotina na dose de 0,12 a 0,34 ppm é suficiente para prevenir dermatites, alopecia, ataxia; logicamente ligadas a sua deficiência Da mesma forma que os primatas, os porquinhos da Índia não possuem a enzima
L-gluconolactona oxidase, integrante da via metabólica, que leva a formação de vitamina C a partir da glicose.

Devido a este fato, sua dieta deve sempre ser suplementada com vitamina c na dose de 1 a 55 mg por kg de dieta. Geralmente uma dose de manutenção deve constituir de 5 mg/Kg de dieta, e 30 mg/Kg de dieta para o período de gestação. Caso o ácido ascórbico não seja fornecido na alimentação, poderá ser adicionado a água; ainda como suplementação de ac. ascórbico estão a couve e a laranja fornecidas diariamente. Cenoura e alface não se constituem boas fontes de vitamina C. Cabe salientar que na água, em recipiente aberto, a atividade desta vitamina decresce em mais de 50% em 24 horas e mais rapidamente ainda caso materiais metálicos ou orgânicos estejam presentes. A deficiência de vitamina C causa hemorragia gengival, dor articular, hemorragia subcutânea, e morte.

As dietas para roedores e lagomorfos deveriam conter níveis de vitamina D entre 3,5 a 9,0 UI por grama de alimento. Sua deficiência causa raquitismo, e tetania hipocalcêmica. A hipervitaminose D pode ser encontrada em dietas desbalanceadas ou na suplementação inadequada, causando calcificação medial das maiores artérias elásticas e tecido moles (calcificação metastática) descritas em coelhos, cobaias, castores, dentre outros. Os coelhos ainda podem apresentar movimentos debilitados e perda do apetite. Níveis adequados de vitamina E variam de 40 a 90 UI por Kg de dieta, sendo que os maiores valores são requeridos pelos coelhos. Sua deficiência provoca distrofia muscular, esteatite, creatina urinária elevada, dentre outras. A vitamina K é sintetizada pela flora intestinal de roedores e lagomorfos. É rara a sua deficiência mesmo não sendo suplementada na ração. Sua deficiência causa diminuição nos níveis de protrombina, levando a hemorragias.


Carlos Alexandre Pessoa
Médico Veterinário
Celular: (11) 7865-9482 / (11) 9911-2330
CRMV/SP 8621

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